Ópera Aberta

Um documentário que revela o processo de trabalho de uma ópera. Da discussão da partitura aos ensaios finais, seguimos a construção de uma obra de arte complexa. Compositor, maestro, encenador e cantores são os protagonistas desta incursão nos bastidores de uma ópera.  

Realização: Leonor Areal
Duração: 75’
Co-Produção: Videamus - Teatro da Trindade/Inatel, 2005 

Participantes:
José Eduardo Rocha (compositor), Cesário Costa (maestro) Paulo Matos (encenador), Mário Redondo, Sara Braga Simões, José Lourenço, Elmira Sebat, Catherine Rey, Andrey Grabovsky, José Corvelo (cantores), Nicholas McNair (pianista), José Manuel Castanheira (cenógrafo), Rafaela Mapril (figurinista), Clementina Cabral (fotógrafa), Rui Zink (libretista)

Este documentário acompanha os ensaios da ópera “Os Fugitivos”, levada à cena no Teatro da Trindade em Lisboa, em Março de 2004. Durante 2 meses, segui todas as fases do processo e seus protagonistas. A presença habitual da câmara, rapidamente tornada discreta, dá-nos uma visão íntima do trabalho de construção de uma ópera.    

A circunstância rara de se encenar uma ópera inédita, obrigando à descoberta total da partitura e da dramaturgia, gerou situações de discussão especialmente reveladoras do processo de concepção e do trabalho de conciliação dos vários papéis criativos: compositor, maestro, encenador e cantores. 

A obra musical escrita, e rigorosamente impressa (o primeiro plano do filme), vai sendo aberta e decifrada pelos seus primeiros leitores e intérpretes. Este percurso não foi isento de dificuldades: assistimos às discussões da partitura entre maestro e compositor, às dificuldades sentidas pelos cantores, um dos quais teve de desistir, aos desesperos do encenador...

O incansável maestro coordena rigorosamente todo o trabalho musical e gere dedicadamente a relação com o compositor, que embora cúmplice não é isenta de tensões.

O compositor, feliz e angustiado por dar aos outros a manusear a sua obra, resultado de dois anos de trabalho e de vida, defende-a com a sensação culposa de ser um compositor vivo.  

O encenador debate-se com os muitos problemas de uma obra colectiva, onde não há um só director (como no cinema ou no teatro) e muitas decisões finais têm de ser negociadas, pois não é evidente qual das partes une as pontas desta ‘obra de arte total’: o encenador, o maestro ou a música.  

Alguns desses problemas passaram por: arranjar mais espaço no fosso para os músicos ou no palco para o movimento dos cantores? Sacrificar um baixo com dificuldades de pronúncia em troca de um barítono substituto, implicando alterações na partitura? Optar por soluções de prosódia correcta ou expressiva?

Os tempos da música têm uma respiração própria, que o filme procura respeitar como forma orgânica. A ironia musical das citações abundantes - a Portuguesa,  a Internacional, a Marselhesa, Tristão e Isolda - serve-lhe de pontuação.

Com mais de cem horas de gravação, este é um documentário baseado na observação directa e sem que a minha câmara tenha interferência na acção. É um filme sem truques de montagem, que esconde, sob a aparência de um simples registo, um trabalho longo de argumento e construção de personagens e situações.

O documentário centra-se exclusivamente no trabalho que antecede o espectáculo e na perspectiva que os seus colaboradores têm dele, terminando com o ponto de vista dos músicos da orquestra no fosso, seguindo os gestos do maestro, mas impossibilitados de olhar o palco, ou sequer de ouvir distintamente as vozes dos cantores.

Leonor Areal  

 

Ficha Técnica

Argumento e Realização: Leonor Areal  
Imagem: Leonor Areal  
Montagem: José Abrantes e Leonor Areal  
Sonoplastia: Hugo Rocha  
Produção: Cristina Novo e Leonor Areal  
Formato: DVCAM  
Duração: 75’  
Co-Produção: Videamus - Teatro da Trindade/Inatel, 2005

Ante-estreia na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema em 6 de Julho de 2005

 

Sinopse

O ‘making of’ da opera “Os Fugitivos “ (de José Eduardo Rocha).

Da discussão da partitura aos ensaios finais, o processo e a complexidade de construir uma obra de arte colectiva. Compositor, maestro, encenador e cantores são os protagonistas desta incursão pelos bastidores de uma ópera.

Um documentário que revela o processo de trabalho de uma ópera. A obra original, fixada em partitura, vai ser apropriada pelos seus intérpretes, não sem passar por difíceis negociações entre compositor e maestro, por ensaios intensos com os cantores – um dos quais terá de desistir - ou pela energia e desesperos do encenador.  

Curiosamente, a identidade dos cantores parece fundir-se com as dos seus personagens. E o tema da ópera – a fuga incessante de um político – vem a  reflectir dilemas do mundo actual. 

 

Open Opera

The making of the opera "The Fugitives" (by José Eduardo Rocha).

From score discussion to final rehearsals, the process and the difficulties of building a complex work of art. Composer, conductor, director and singers are the main characters of this journey to the back-stage of an opera. 

This documentary opens up the working process of an opera. The original work, the music score, is going to be appropriated by its interpreters, not without passing through difficult negotiations between composer and musical director, or intense rehearsals with singers – one of them will give up – or the energy and despairs of the scene director.

Curiously, singers’ identities seem to merge with characters they represent. And the theme of the play – the endless run of a politician – comes to reflect dilemmas of the very actual world.  


Mostras

Imagens sobre Música – Mostra de filmes documentários, Fonoteca, Nov. 2006 

Panorama – Mostra de Documentário Português, Lisboa, Janeiro 2006 

Cinemateca Portuguesa , Julho 2005 (ante-estreia)
 

Mulheres Traídas ] Fora da Lei ] Doutor Estranho Amor ] A Guerra no Iraque ] [ Ópera Aberta ] O Coro ] ILUSÍADA ] Geração Feliz ] The End ]


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