A Guerra no Iraque  
Um documentário de Leonor Areal  

 

Sinopse

Uma turma de crianças da escola primária faz um filme de animação sobre a guerra no Iraque. Os protagonistas são os mesmos dos telejornais: George W. Bush, Tony Blair, Saddam e Bin Laden... Mas a história é bem mais imaginativa.

As crianças falam sem interferência dos adultos e o resultado final é produto da sua expressão livre. Enquanto conversam sobre assuntos de guerra e estratégias ficcionais, a câmara capta –lhes os diálogos com intimidade e mostra-nos o seu inesperado sentido de humor. Mas elas dedicam-se ao seu filme como a um trabalho sério. O modo como tomam decisões e se escutam uns aos outros é uma lição viva de democracia (em qualquer parte do mundo). 

 

Participantes

Alunos do 3º e 4º anos do Externato A Árvore (Lisboa) no ano lectivo 2002/03. Professoras Adriana Areal Calvet, Helena Maia Malta, Ludovina Sobreira, Fátima Santos.

Prod. Videamus, 2004, 25’  

Ante-estreia no festival DocLisboa em 16 de Outubro de 2004

 

A história que as crianças inventaram (fragmentos)

Era uma vez um grupo de militares. A seguir apareceu o George W. Bush que tropeçou e morreu.  

-          Ó Francisco! Tropeçou e morreu. Não faz sentido nenhum!  
-          Pois não!  
-          Está bem. Eu vou dizer que ressuscitou.

Depois apareceu o Tony Blair e meteu-se num tanque de guerra e começou a atacar o Iraque. Ele atacou porque não gostava do Saddam e porque queria o petróleo. Quando ele, Tony Blair, ia para o Iraque, passou por cima de umas bombas, mas as bombas não explodiram. Apareceu o Saddam com uma metralhadora e disparou para o canhão do tanque...  

-          É um bocado esquisito uma pessoa a dar tiros num canhão de guerra...  
-          Num tanque de guerra.  
-          Num tanque de guerra, e as pessoas que estão lá dentro morrem.  
-          Era uma metralhadora de bombas.  
-          O que é que vocês acham? É possível ou não com uma metralhadora...  
-          Não...  
-          De bombas!

Depois ele disparou para o tubo de onde se disparam as balas do tanque e matou o Tony Blair.  

-          Acho que só estão a haver mortes!  
-          A  Sara disse agora uma coisa importante. Só estão a haver mortes.  
-          Então, a guerra é mesmo assim.  
-          É só a primeira morte, Sara.  
-          Não é, não.  
-          É, é.  
-          O George W. Bush já morreu mas depois ressuscitou.

Depois as tropas do Bush apareceram muito chateadas e começaram a lutar contra as tropas do Saddam.  

-         
E acabou a guerra...  
-          É que os outros disseram que depois que a história tinha que acabar...  
-          Mas não precisa de acabar...  
-          Não, é que a guerra é para matar o Saddam. Se matam o Saddam, acabou-se a história...  
-          Isto é uma história inventada!  
-          Mas isto é uma história inventada, vocês podem dar um outro final.

Mais tarde, apareceu o Bin Laden que atirou uma bomba super-nuclear anti-ressuscitamento e rebentou com a América.  

-         
Assim acaba a história...  
-          Então, foi só a América que explodiu, mais nada.

Os militares do Bush ficaram furiosos e beberam o petróleo todo.

 

Nota de intenções

Quando decidi filmar uma turma de crianças que ia realizar um filme de animação colectivo, sabia que elas se poderiam tornar personagens interessantes, com os seus diálogos claros e inocentes que tantas vezes surpreendem o nosso olhar de adultos. O espanto veio quando elas escolheram para tema do filme a guerra no Iraque e começaram a  fazer comentários com perfeito conhecimento de causa e grande ironia. Para mim, esta é a força do filme, junto com a demonstração do processo básico da criação artística: a liberdade de jogar e transformar os dados do real.

LA


Synopsis

A class of 9-year-old children is making an animated movie, whose chosen theme is the “War on Iraq”. Their protagonists are the same we see on TV: George W. Bush, Tony Blair, Saddam, and Bin Laden. But the story is quite more imaginative…

Children talk with no interference from adults, and the final result is the product of their free expression. While they discuss war matters and fiction strategy, camera captures their dialogs with intimacy, and shows us their unexpected sense of humour. Nevertheless, they commit to the story with total dedication and faithfulness, as in a real labour. The way they make decisions, and talk and listen to each other, is a vivid lesson of democracy (in every place of the world).

 

The story children made up (fragments)

Once upon a time there was a group of military people. Afterwards George W. Bush appeared, tripped, and died.

    Ho Francisco! Tripped and died. It doesn’t make any sense! 
-     All right. I’m going to say that he ressuscitated.

And then Tony Blair appeared on a war tank to attacked Iraq. For that, we call it the war in Iraq. He attacked because he didn’t like Saddam and because of the oil. When he was going to Iraq he went over some bombs, but didn’t explode. And then Saddam showed up with a machine gun and killed him.

-         Eh, it’s a bit weird someone shooting at a war cannon…  
-         In a war tank. In a war tank, and the people inside it died!  
-         It was a machine gun with bombs.  
-         What do you think? Is it possible or not with a machine gun…  
-         No…With bombs!

Then, he shot towards the war tank cannon and killed Tony Blair.

-         I think there are only deaths!  
-         That’s the way the war is.  
-         It’s only the first death, Sara.  
-         No, it isn’t.  
-         It is. George W. Bush already died, but he came back to life.

Then the American troops became very upset and killed Saddam…And the war ended…

-         It’s just that the others said that the story had to end…  
-         It didn’t end. It doesn’t have to end.  
-         No, the war is to kill Saddam. If you kill Saddam the story ends…  
-         This is a made up story! This story is invented; you can come up with a different ending.

Then, Bin Laden showed up, went to America and bombed the whole country with a super-nuclear anti-resurrection bomb.

-         Like this the story ends.  
-         So, only America exploded, nothing else.

Bush’s troops became enraged and drank all the oil.

 

Director’s statement

When I decided to film a children’s class that was going to make an animated movie, I was sure they could became interesting characters, with wise, clear and innocent dialogs, which often elucidate our adult view of life. The surprise came when they pick up for subject the war in Iraq, and became to comment it with full knowledge and superior irony. For me, this is the strength of the film, along with the demonstration of the basis of art and creation: the liberty to play with and transform the data from reality.


Mostras

Viaxes na Lusofonía, Santiago de Compostela, Abril 2006

Caminhos do Cinema Português, Coimbra, Abril 2005

DocLisboa,  Out. 2004
 

Mulheres Traídas ] Fora da Lei ] Doutor Estranho Amor ] [ A Guerra no Iraque ] Ópera Aberta ] O Coro ] ILUSÍADA ] Geração Feliz ] The End ]


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